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Exame oftalmológico pode detetar Doença de Alzheimer mais cedo

17/09/2019

Exame oftalmológico pode detetar Doença de Alzheimer mais cedo

 

Uma investigação conduzida por cientistas australianos demonstrou que um exame oftalmológico rápido e não invasivo tem o potencial de identificar alterações na retina que podem ajudar a diagnosticar de forma precoce a Doença de Alzheimer.

 

A equipa liderada pelo Professor Peter van Wijngaarden e pelo Dr. Xavier Hadoux, do Centro de Pesquisas Oculares da Austrália e da Universidade de Melbourne, utilizou uma tecnologia especializada de scanning ocular. A investigação, publicada na revista “Nature Communications”, demonstra que este exame oftalmológico conseguiu identificar, com precisão, pessoas com níveis elevados de beta-amilóide, uma proteína que se acumula no cérebro e na retina de pessoas com Doença de Alzheimer até 20 anos antes do início dos sintomas.

 

Os autores do estudo realçam que as descobertas podem abrir caminho a um novo teste de diagnóstico da Doença de Alzheimer, e permitir assim que pessoas em risco sejam detetados mais cedo.

 

Os testes atuais para detetar a Doença de Alzheimer incluem a punção lombar, para examinar o líquido cefalorraquidiano, ou tomografias por emissão de positrões no cérebro, que obrigam à injeção de um marcador radioativo.

 

O exame oftalmológico utiliza imagens hiperespetrais, uma forma especializada de tecnologia frequentemente usada em satélites para examinar a Terra, na procura de depósitos minerais, para fazer incidir no olho uma luz cor de arco-íris.

 

“Esta tecnologia permitiu-nos ver a retina de uma nova maneira. A nossa investigação demonstra que existem diferenças na forma como a luz é refletida nas retinas de pessoas com depósitos de beta-amilóide no cérebro e nas retinas de pessoas com níveis mais baixos da proteína", explicou o Dr. Xavier Hadoux.

 

Participaram do estudo voluntários na Austrália e no Canadá. Os investigadores vão agora procurar validar esta nova tecnologia com um estudo mais alargado, com o objetivo de verificar se estes exames oculares podem detetar os primeiros sinais da Doença de Alzheimer anos antes do início da deterioração da memória.

 

“Os tratamentos eficazes que possam vir a ser desenvolvidos no futuro terão necessariamente de atacar a Doença de Alzheimer cedo, antes que ocorram danos cerebrais extensos. O desenvolvimento de um teste simples, que identifique pessoas em risco, pode ser extremamente importante, pois permitirá tratamentos iniciais que previnam ou retardem a doença”, sublinhou o professor Van Wijngaarden.

 

FONTE: Medical Xpress


Fonte: Jornal Medical Xpress
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